Saturday, November 14, 2009

Picareta Cultural 2009


No dia 05/12/2009 acontecerá a II edição da Picareta Cultural no espaço do CTO na Lapa. Idealizada inicialmente sem grandes pretensões pelos amigos Caio Carmacho e Valterlei Borges em 2008 durante a FLIP, o evento propõe reunir poesia e música num mesmo lugar a partir do encontro entre jovens escritores e músicos com nomes já consagrados do meio cultural. Em 2008 passaram pela Picareta Chacal e Marcelino Freire. Em 2009 já confirmaram presença os poetas Mano Melo, Ismar Tirelli Neto, Chacal, Omar Salomão, Tchello Melo e Flávio de Araújo, e o músico Dimitri BR.
A idéia tomou proporções maiores do que a esperada, conseguindo repercussão em jornais do porte d'O Globo e JB, além de diversos meios eletrônicos e blogs.
Em 2009, a Picareta Cultural contará com o apoio do Ministério da Cultura a partir do Prêmio Areté Cultura Viva / Eventos em Rede e dos Pontos de Cultura Me Vê Na Tv e CTO - Centro de Teatro do Oprimido.
A diferença com o ano anterior é que dessa vez o encontro será na Lapa, Rio de Janeiro, e não em Paraty. Motivo: o resultado da escolha do projeto entre os premiados pelo MinC só saiu após a FLIP. Mas para 2010 esperamos retornar com a Picareta Cultural para Paraty.

Picareta Cultural: É O Melhor Que Nós Temos!

Wednesday, April 01, 2009

Um dia, um poema

Gosto quando voas.

Também gosto quando caminhas sob a terra.

Seus pés corretos têm a leveza de folha seca.

Desnecessário lentes para flagrar seus gestos, tão meus.

É tarde.

É tarde e você chegou cedo.

Dentro da noite veloz seu corpo de calor e calma

é manso como o mar de minha infância.

De modo que mergulhar em você

é voltar à inocência.

Na noite cai o dia

como eu em seus olhos negros.

Gosto de ti porque tu estás quando não és

e és quando não estás.

Gosto de ti porque tu és (sendo).

Rio, 17-01-2005

Wednesday, July 09, 2008

Para Antônio Gracias, caso ainda se encontre vivo

Fã de cachaça
Fã de Vinicius
Fácil prever meu futuro


Valterlei Borges

Friday, June 27, 2008

Manuel Bandeira

Poética

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
maneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare

- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

Wednesday, June 18, 2008

Madredeus

Depois de uma longa ausência, o regresso... ainda sob a magia das 16 horas de duração da mini série "Os Maias", umas das melhores produções já realizadas pela TV brasileira...

Haja O Que Houver

Haja o que houver
Eu estou aqui
Haja o que houver
espero por ti

Volta no vento ô meu amor
Volta depressa por favor
Há quanto tempo, já esqueci
Porque fiquei, longe de ti
Cada momento é pior
Volta no vento por favor...

Eu sei quem és
pra mim
Haja, o que houver
espero por ti...

Wednesday, March 28, 2007

Fascínio

Casado, continuo a achar as mulheres irresistíveis.
Não deveria, dizem.
Me esforço. Aliás,já nem me esforço.
Abertamente me ponho a admirá-las.
Não estou traindo ninguém, advirto.
Como pode o amor trair o amor?
Amar o amor num outro amor
é um ritual que, amante, me permito.

(Affonso Romano de Sant'Ana)

Friday, March 23, 2007

Affonso Romano de Sant'Anna

Intervalo amoroso

O que fazer entre um orgasmo e outro,
quando se abre um intervalo
sem teu corpo?

Onde estou, quando não estou
no teu gozo incluído?
Sou todo exílio?

Que imperfeita forma de ser é essa
quando de ti sou apartado?

Que neutra forma toco
quando não toco teus seios, coxa
se não recolho o sopro da vida de tua boca?

O que fazer entre um poema e outro
olhando a cama, a folha fria?

É como se entre um dia e outro
houvesse o vago-dia, cinza,
vida igual a morte, amortecida.

O poema, avulso gesto de amor,
é vão recobrimento de espaços.
O poema é dúbia forma de enlace,
substitui o pênis
pelo lápis
- e é lapso.